Jerome Vonk

Discutindo a relação

nov
01

– Sinto que há um muro entre nós, – ele escreveu na carta semanal que enviava à namorada.

– Mas há um muro, mesmo, – ela respondeu. Vivemos em Berlim, cada um em um lado dessa cidade dividida. Mas um dia o muro cai!

No final de 1989, o muro realmente começou a cair e o povo berlinense podia, finalmente, andar livremente para cima e para baixo, para o oeste e o leste, para a direita, para o centro e para a esquerda.

Eles se encontraram neste dia histórico e em todos os dias que seguiram, durante algum tempo.
E depois se separaram, sem falar muito sobre o assunto.
Às vezes, era ele que não aparecia ao encontro marcado, às vezes era ela, no fim nenhum dos dois marcava mais presença.

– É muito louco, mas no tempo dessa guerra fria eu tinha esperança e um grande amor por Marie. Desejei que o muro caísse, e com ele caíram juntos o grande amor e a esperança, – anotou ele em seu diário.

Marie, por sua vez, escreveu em sua última carta para ele (carta que ela nunca chegou a mandar):

– Tenho a impressão que a melhor maneira de matar nossos sonhos é fazer com que eles se realizem.

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