Jerome Vonk

A amante e a manicure

abr
09

Excelente pai, marido carinhoso, profissional respeitado, amigo de todas as horas, Juliano era um homem exemplar.
Inclusive no que dizia respeito à relação com sua amante, o grande amor de sua vida.
Sem deixar de faltar a nenhum dos seus compromissos sociais, familiares e de trabalho, ele não deixava a bola cair no que dizia respeito ao exercício carnal que mantinha com Marta.

Ela não tinha do que reclamar. Além dos diversos pequenos mimos, de extremo bom gosto e escolhidos a dedo (sempre coincidindo com o gosto pessoal da presenteada),  sua performance sexual era digna de aplausos.

Uma bela tarde, Marta sussurou o nome do marido dela, enquanto gozava. Juliano ouviu e fez de conta que não ouviu.
Mas ficou com a pulga atrás da orelha (e o som daquele nome repercutindo dentro do seu ouvido por dois dias).

Marta foi mudando seu jeito, aos poucos, tornando-se mais pudica, menos disposta a encontros seguidos, sem jeito ao receber os presentes de Juliano.

Em uma manhã chuvosa e fria de verão paulistano, enquanto tomavam um inocente café perto do escritório, ela anunciou que estava grávida do marido, e que a relação deles terminava ali.
Juliano nunca tinha imaginado a possibilidade de sua amante o trair com o próprio marido.
Ele ficou devastado, emagreceu e entristeceu.

Sua mulher confidenciou à manicure, em uma de suas visitas semanais ao salão:

“Não sei mais o que fazer para animar meu marido. Estou quase sugerindo a ele para arranjar uma amante e se divertir um pouco. Você acha que estou ficando louca?”

manicure

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